Cega, surda, muda e sem movimentos
Eu tinha câncer. Mas eu não sabia. Tudo parecia estar muito bem e eu no auge da minha juventude cheia de sonhos, alguns já realizados e outros para realizar. E de repente eu comecei a passar muito mal, tão mal que fui parar no hospital.
Um grande movimento de médicos e enfermeiros, tudo bem ali na minha frente e eu sequer sonhava o que estava acontecendo; era eu que estava muito doente. Além dos anjos celestiais eu tinha também meus anjos terrenos. Minha mãe e a minha irmãzinha que a chamo de mamãe estavam comigo, papai também.
Após alguns procedimentos e uma bateria de exames, e alguns litros de soro, eu fui liberada e muito sonolenta eu fui levada para minha casa, porque eu precisava descansar. Minha mamãe que na realidade é a minha linda, e única irmã estava de malas prontas, mudando de estado para estudar. Ela só tinha dezesseis anos, e eu com um câncer parecendo uma dinamite pronto a estourar a qualquer momento. A minha família confiando em Deus e meio sem saber como conduzir essa nova e difícil situação nunca perdeu a fé e a certeza que Deus iria me curar. Porém meu pai não poderia saber dessa doença, ele não iria suportar ver sua filha com um diagnóstico desse, não naquele momento. Então mamãe (minha irmã Cris, disse a minha mãe que no tempo certo ela mesma daria a notícia para meu papai) enquanto isso ela iria estudar para ajudar a cuidar de mim. E que eu jamais poderia saber, e sempre quando eu passava mal, minha irmã chegava para me visitar ou me acompanhar aos médicos. Eu estava com meu cérebro doente, e não era uma parte dele, todo meu cérebro estava doente, não havia onde operar, eu precisava de um cérebro novo. Meu médico clínico, neurologista e cirurgião já tinha visto meus exames, tomografias, ultrassons, eletrocardiograma, ecocardiograma, e exames que pareciam não ter fim, cintilografia óssea, endoscopia, e outros.
Eu me lembro que sai do hospital contente, mas eu não tinha ideia do que estava acontecendo. Os médicos disseram a minha irmã que eu tinha somente dois meses de vida, no máximo por um milagre seis meses. Então seis meses era tudo o que a medicina poderia fazer por mim. Dois médicos dessa equipe que gentilmente me acompanhou durante todo o trajeto do tratamento eram nossos amigos particulares, e passávamos juntos muitos finais de semanas, festas, e fazíamos viagens juntos.
Então após meu diagnóstico, eles tiveram que redobrar o cuidado para que não vazasse nenhuma informação nem para mim, nem para o papai. E eles conseguiram até que um deles resolveu me contar, ele disse que meus cabelos estavam caindo bastante, mas graças a Deus que sendo minha irmã uma mãe para mim, mesmo sendo menor de idade, mas com muita sabedoria conseguiu convencê-lo foi difícil, mas ela conseguiu, e disse a ele que ia cuidar dos meus cabelos e que de maneira nenhuma meus cabelos iriam cair, e realmente essa juba toda que parece um leão até caiu uns fios mas Deus não me permitiu ficar careca, ele sabia que eu não tinha estrutura para saber o que estava acontecendo naquele momento.
Até hoje eu fico pensando já pensou se ele tivesse me contado, é claro que eu não iria suportar. Acho que ninguém suportaria se estivesse no meu lugar, vivendo a minha história. Quando saíram os resultados dos exames eu estava convencida que eu só tinha realizado um biocheckup porque era o que me disseram. Então eu sabia que eu tinha problemas cardíacos, eu tinha insuficiência coronariana, e tinha que tomar um remédio que na época minha avó de sessenta e cinco anos tomava, lembro-me que o cardiologista me falou que eu iria tomar aquele remédio enquanto eu vivesse e que aquela doença ele não iria saber me explicar a origem porque só dava em fumante e em idosos e eu com a minha idade de 21 anos era um caso raro. O médico clínico me disse que eu estava com alguns problemas de saúde e que já tinha passado a lista de medicamentos para mamãe, e que eu iria tomá-los enquanto eu vivesse a não ser que Deus me curasse antes, aí sim eu não iria mais precisar; porém como eram muitos os medicamentos eu precisava fazer uma agenda para não esquecer nenhum, então eu acreditei, e tomava certinho. Porém eu pensava que eu tivesse somente, uma descalcificação nos ossos, uma leucopenia, e o problema cardíaco, e no cérebro eu tinha uma manchinha que não era nada grave. E assim passei longos anos da minha vida, e Deus me dava forças, eu tinha uma vida aparentemente normal. Estudava, fazia aulas de piano, canto, fazia academia, ia a igreja, passeava e até viajava sozinha. Mas ás vezes eu passava mal e tinha que interromper tudo o que eu fazia para ir ao hospital, ás vezes eu ia internada. A minha vida durante anos foi assim, perdi a conta de números de exames e internações. Perdi a conta de quantas vezes eu quase morri no hospital ou mesmo na minha casa ou em um passeio, porém eu sempre era socorrida. E uma coisa eu notava, a linguagem por médicos que me atendiam era sempre a mesma. Mas eu achava que era porque eram médicos, depois de muito tempo eu fui saber que antes de eu passar pelas consultas minha irmã já tinha ido falar com o profissional, seja na clínica, consultório ou hospital.
Eu ia buscar os exames, mesmo sendo maior de idade, os laboratórios davam um jeito de não me entregar e quando surgiu o recurso de ver o resultado pela internet eu nunca conseguia, mas isso é porque minha mamãe já tinha ido conversar. De maneira que de todos os lados tinha um anjo de pessoa para contribuir para que eu não soubesse na íntegra o que eu realmente tinha ou estava tratando. Quando mamãe (irmã) estava na semana de provas ela fazia os contatos por telefone, ela nunca me deixava ficar preocupada ou que alguém falasse o que estava acontecendo, porque ela tinha fé e absoluta certeza que eu um dia estaria dizendo ao mundo que estou curada.
Pois ela sabia e dizia que eu tinha nascido para louvar a Deus, esse dia chegou para mim, eu já tinha 43 anos quando em uma madrugada, minha irmã me chamou dizendo assim: Filhokinha, hoje Deus vai te curar e uma oração ela fez por mim, ela chorava e agradecia a Deus por tudo que ele tinha feito por mim inclusive por me dar um cérebro novo. Também eu fiquei sem entender, mas eu sabia que algo muito grave estava acontecendo. Mas não, o que eu não sabia era que naquele momento o que estava acontecendo era minha cura o meu milagre tinha chegado. Ao amanhecer fomos aos médicos e refiz a cada exame, todos. O ano passado ano de 2021 refiz todos os exames, o biocheckup que faço a cada dois anos, alguns exames todos os anos. E ouço inúmeras vezes, que sou um milagre pela medicina, sou uma guerreira, sou vencedora; porém eu digo que sem a minha família em especial a mamãe Cris que hoje com 47 anos, me ajudou cuidou de mim com tanto amor, eu não teria conseguido chegar até aqui.
Deus é tudo na minha vida e foi Deus quem me deu um cérebro novo, uma mente de Cristo. Por isso tenho o prazer de louvar a esse Deus, sou muito grata por tudo. Eu sou uma pessoa que tenho muitas habilidades e talentos, mas o que eu mais amo fazer é louvar a Deus. Hoje eu entendo os muitos desígnios de Deus na minha vida.
Mada